Ontem coloquei um post sobre uma vinícola da Nova Zelândia que começou a colocar o número de emissões de Gás Carbônico nos rótulos de um dos seus vinhos. Mas a discussão, pode ir além e até seguindo o comentário do amigo e assíduo leitor Ciro, queria falar um pouco sobre os efeitos do aquecimento global na produção de vinhos. E quando estava escrevendo este post, chegou um e-mail da Helena, minha mulher, com um link muito legal e que tem tudo a ver com o assunto. O link é do Opera Mundi e fala exatamente sobre o aquecimento global e suas consequências na indústria vinícola.
O fato é que há muitas especulações e ainda poucas comprovações. Há também aqueles que exageram um pouco, assim como há aqueles que dizem que nada vai acontecer e que a produção de vinhos não será afetada. De tudo que eu já ouvi e li a respeito, acho que algumas coisas fazem muito sentido. Por exemplo, as grandes regiões produtoras hoje estão entre os paralelos 30 e 45, tanto ao norte como ao sul, mas não é por acaso que a Inglaterra, acima desta faixa começa a produzir vinhos, afinal com um clima mais frio, as ondas de calor tem menos intensidade por lá.
Outro fato que é verídico, é que o excesso de calor faz as uvas amadurecerem mais rapidamente. com isto, os vinhos acabam concentrando muito açúcar e este açúcar vai ser transformado em álcool. E isto quer dizer que os vinhos ficarão, ou tem ficado, mais alcoólicos. E prejudica mais as uvas delicadas, como a Pinot Noir, que é uma uva que precisa de temperaturas mais moderadas para amadurecer da maneira correta.
Os argumentos, na minha opinião são todos prejudiciais ao universo vinícola, exceto às novas regiões que surgirão, claro. Mas há algo neste artigo do Opera Mundi que não vai causar boas sensações em alguns produtores, principalmente os que levam o apelo organico e biodinâmico a sério. No artigo, Joël Rochard, especialista da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), diz que os efeitos do aquecimento global podem ser minimizados com avanços científicos interferindo nas características do solo, das vinhas, controlando a exposição solar, alterando as dosagens e desenvolvendo leveduras especificas. Não parece ser algo que muitos produtores gostariam de fazer, mas por outro lado, pode ser realmente algo a se pensar, inclusive em termos de apelações e denominações de origem na Europa.
Amigo, o assunto é vasto, é polêmico e ficaríamos horas escrevendo e discutindo. Mas cabe a nós melhorarmos este cenário e evitarmos que o pior aconteça….
CHEERS!!



































Acabo de ler uma matéria muito boa no Estadão, do sempre competente Luiz Horta. Nesta matéria ele fala sobre a região francesa de Cahors. Mas não é apenas uma reportagem sobre a região. É mais que isto.



