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Arquivo da categoria ‘Opinião / Artigos’

Ontem coloquei um post sobre uma vinícola da Nova Zelândia que começou a colocar o número de emissões de Gás Carbônico nos rótulos de um dos seus vinhos. Mas a discussão, pode ir além e até seguindo o comentário do amigo e assíduo leitor Ciro, queria falar um pouco sobre os efeitos do aquecimento global na produção de vinhos. E quando estava escrevendo este post, chegou um e-mail da Helena, minha mulher, com um link muito legal e que tem tudo a ver com o assunto. O link é do Opera Mundi e fala exatamente sobre o aquecimento global e suas consequências na indústria vinícola.

O fato é que há muitas especulações e ainda poucas comprovações. Há também aqueles que exageram um pouco, assim como há aqueles que dizem que nada vai acontecer e que a produção de vinhos não será afetada. De tudo que eu já ouvi e li a respeito, acho que algumas coisas fazem muito sentido. Por exemplo, as grandes regiões produtoras hoje estão entre os paralelos 30 e 45, tanto ao norte como ao sul, mas não é por acaso que a Inglaterra, acima desta faixa começa a produzir vinhos, afinal com um clima mais frio, as ondas de calor tem menos intensidade por lá.

Outro fato que é verídico, é que o excesso de calor faz as uvas amadurecerem mais rapidamente. com isto, os vinhos acabam concentrando muito açúcar e este açúcar vai ser transformado em álcool. E isto quer dizer que os vinhos ficarão, ou tem ficado, mais alcoólicos. E prejudica mais as uvas delicadas, como a Pinot Noir, que é uma uva que precisa de temperaturas mais moderadas para amadurecer da maneira correta.

Os argumentos, na minha opinião são todos prejudiciais ao universo vinícola, exceto às novas regiões que surgirão, claro. Mas há algo neste artigo do Opera Mundi que não vai causar boas sensações em alguns produtores, principalmente os que levam o apelo organico e biodinâmico a sério. No artigo, Joël Rochard, especialista da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), diz que os efeitos do aquecimento global podem ser minimizados com avanços científicos interferindo nas características do solo, das vinhas, controlando a exposição solar, alterando as dosagens e desenvolvendo leveduras especificas. Não parece ser algo que muitos produtores gostariam de fazer, mas por outro lado, pode ser realmente algo a se pensar, inclusive em termos de apelações e denominações de origem na Europa.

Amigo, o assunto é vasto, é polêmico e ficaríamos horas escrevendo e discutindo. Mas cabe a nós melhorarmos este cenário e evitarmos que o pior aconteça….

CHEERS!!

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O EnoDeco é um blog de vinhos, mas fala também de outras coisas boas da vida, principalmente as que são relacionadas com a gastronomia. Faz um tempo que quero escrever sobre algo que ando experimentando e gostando cada vez mais e que tem tudo a ver com o vinho: AZEITES! Este precioso líquido espesso, amarelo e frutado tem me fascinado cada vez mais e me instigado a experimentar novas marcas.

Já comentei uma vez aqui sobre o Azeite Petralia, um belíssimo chileno produzido pela vinícola Terramater, este um dos melhores azeites que já experimentei. Outro chileno que costumo ter em casa para situações especiais é o Olave, também chileno e muito parecido com o Petralia, pois é muito aromático, intenso e tem pouco amargor. Muita gente arregala os olhos quando falo da procedência destes dois azeites, mas o fato é que este país tem se destacado bastante na produção de azeitonas. Confiram nesta matéria um pouco mais sobre os azeites chilenos.

Não é novidade que a grande tradição em azeites vem da Europa, principalmente de países como Itália, Espanha e Portugal e até a Grécia e que os azeites mais conhecidos são de lá, mas graças a Deus há uma infinidade de marcas para experimentarmos. Um dos meus preferidos de lá é o Azeite Borges. Não só pela qualidade, como pela extensa linha que eles tem. Além dos varietais (Assim como nos vinhos, feitos com apenas um tipo de azeitona), há os aromáticos da especial linha do renomado chef espanhol Ferran Adriá, vinagres e outras coisas mais. Enfim, uma linha bacana e de altíssima qualidade.

E por último, queria falar da última marca que experimentei e que não vem de nenhum destes países citado acima, mas da nossa vizinha Argentina! O produtor já é bem conhecido por aqui pelos seus vinhos: A Familia Zuccardi! Os seus 3 varietais “Arauco”, “Manzanilla” e “Frantoio”, são feitos com azeitonas extraídas de oliveiras originárias da Argentina, Espanha e Itália e são muito bons, com destaque, para mim, ao Frantoio. Me surpreendi e fiquei muito feliz em saber que ganhei mais um azeite especial para ter aqui em casa e se juntar com os Borges e o Olave, já que o Petrallia eu não encontro por aqui!

Em breve quero explicar um pouco mais sobre a produção de azeites, mas antes preciso me aprofundar e entender melhor. Afinal, a ligação deles com o vinho é muito grande, não só por se tratar de uma “arte” na produção, mas porque os países que ganham destaque são comuns aos 2 produtos!

CHEERS!!

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Aproveitando que no último dia 22 de Outubro comemorou-se o Dia do Enólogo, resolvi aqui escrever um pouco sobre a confusão que muita, mas muita gente faz sobre 3 termos: Enólogo, Enófilo e Sommelier. Vamos lá:

O ENÓLOGO é formado na faculdade de enologia é o principal responsável pela produção de vinhos numa vinícola. ele é a pessoa que detém todos os conhecimentos técnicos, desde a plantação das videiras até o engarrafamento. É uma pessoa-chave na produção de um vinho pois ele pode determinar quando colher as uvas, como colher, como vai ser o processo de fermentação, de maturação e todas as etapas do processo. É ”o cara” e pode ir do céu ao inferno em minutos…!
 
O ENÓFILO é um amante e um estudioso do vinho.  Há aquele que ainda se dedicam profissionalmente meu caso :) sem ter feito faculdade de enologia. Muitos dos críticos, blogueiros e colunistas são apenas enófilos, que algumas vezes fizeram algum tipo de curso. Ou há aqueles que também nunca fizeram um curso, mas que tem muita sensibilidade e conhecimento por tudo o que já leram e principalmente provaram.

O  SOMMELIER é um conhecedor do vinho e que na maioria das vezes fez um curso para se formar sommelier. Nestes cursos ele aprende a servir o vinho adequadamente, aprende os princípios da harmonização e outras coisas importantes para que possa tirar dúvidas e  deixar os clientes dos restaurantes e eventos tranquilos de que fizeram boas escolhas.

 
 
Aos enólogos, homenageados no dia 22.10, minha reverência e admiração pelo trabalho que fazem, possibilitando a nós que bebamos vinhos feitos com cuidado e dedicação!
 
 
CHEERS!!

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Quinta-Feira passada tivemos mais uma Confraria dos Amigos, depois de muita luta para arrumarmos uma data comum a todos. Ficamos quase 3 meses sem nos encontrarmos, tempo este que não é comum nos nossos encontros. O tema foi a Espanha e ficou sob minha responsabilidade levar os tintos da noite, e os brancos foram levados pelo Zé Roberto. O restaurante escolhido não poderia ser outro que não o eleito pela Veja Comer e Beber como o melhor espanhol da cidade, o Eñe! E aconteceu o que eu já previa antes: Os brancos, pela primeira vez foram superiores aos tintos na nossa confraria.

Quando me contaram qual era o branco que ia abrir os trabalhos, eu me assustei e logo vi o que estava por acontecer. Nada menos que um Tondonia Reserva 1991 um vinho absolutamente maravilhoso, elaborado por esta que é uma das mais melhores e mais tradicionais vinícolas espanholas que fica na Rioja. Este vinho, que fica meros 6 anos em barricas, é feito com 90% de Viura e 10% de Malvasia. Para quem não sabe, Viura é a mesma uva que Macabeo e é uma das principais uvas brancas espanholas. O vinho estava espetacular! Acidez equilibrada com o álcool e o corpo do vinho, um nariz que era um mel puro que quase lembrava um vinho de sobremesa. Na boca era muito intenso, final longo e delicioso. O acompanhamento? Tapas espanhóis como corquetes, gambas (camarões) ao alho e óleo, entre outros.

Partimos então para os tintos, que tinham uma responsabilidade grande depois deste vinhaço. E infelizmente eles ficaram pra trás. Eram ótimos vinhos, bem pontuados pela crítica, produzidos por uma excelente Bodega. Mas talvez estivessem jovens demais, ainda mais depois de um vinho de 19 anos de idade. Eram os Dominios de Atauta 2004 e 2005, produtor dos mais conhecidos da Ribeira del Duero. Ambos com 92 pontos do RP, são vinhos com bom corpo, equilibrados, mas ainda um pouco alcoólicos. Abrimos primeiro o 2004 e depois o 2005. Ambos feitos com a uva Tinto Fino (É como é chamada a Tempranillo lá na Ribeira del Duero). Estavam muito parecidos, ainda fechados, alcoólicos mas com corpo excelentes, o 2004 um pouco mais aberto e com frutas vermelhas e o 2005 mais fechado, demorando para mostrar as frutas e mostrando mais madeira. Apesar de novos, dava para ver que tinham um futuro brilhante pela frente…

Para terminar, resolvemos nos dar um gran finalle. Um Pedro Ximenez Alvear Solera 1927. Este vinho é elaborado a partir de uvas Pedro Ximénez, que são expostas ao sol para ficarem secas e depois de vinifcadas, amadurecimento em barris de carvalho por muito tempo pelo método conhecido como Solera. Este método é bom complexo e vou tentar resumir aqui. Neste método um mescla de vinhos de diferentes anos são misturados para que ganhem complexidade e a safra que vai no rótulo se refere ao vinho mais antigo que existe dentro daquela mistura. Este método de Solera leva vários anos até ter a idade adequada, e portanto, é bastante trabalhoso e custoso. E este exemplar levou nada menos que 96 pontos do Parker. Uma preciosidade, que era pura uva passa, aquelas que comemos geralmente na época do natal.

Uma noite marcante e atípica, onde os brancos dominaram de fato!!

Preços:

Tondonia Reserva Branco 1991: US$ 119,50 (Vinci Importadora)

Dominio de Atauta 2004: Não achei esta safra pra comprar aqui no Brasil. Se alguém souber, por favor informe!

Dominio de Atauta 2005: R$ 202,10 (Mistral Importadora)

Pedro Ximenez Alvear Solera 1927: R$ 146,00 (Península Importadora) 

CHEERS!!

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Na última quarta-feira estive na Grand Cru participando da Degustação vertical do Sideral, um dos vinhos da vinícola chilena Altair, que tem vinhos exuberantes e bem pontuados por toda a crítica. La estavam alguns jornalistas, blogueiros e sommeliers, além do pessoal da Gran Cru e da Gerente de Exportações da vinícola. Uma primeira informação que tivemos e que eu particularmente achava que era diferente, é que o Altair não é o primeiro vinho da vinícola e o Sideral, o segundo. São vinhos completamente distintos, com uvas provenientes de diferentes vinhedos e produções distintas. Aquela estória de que ele poderia ser o “descarte de qualidade”do Altair, assim como algumas vinícolas fazem seus “segundos vinhos”não é verdade aqui.

Começamos então pelo Sideral 2002, um vinho 70% Cabernet Sauvignon, 20% Merlot e 10% um blend de outras uvas tintas, com passagem de 15 meses por barricas de carvalho, arrebatando 88 pontos WS e 92 pontos no Guia de Vinos de Chile. Um vinho que no começo se mostrou equilibrado, um ruby intenso e uma presença marcante de CS com muita pimenta, cereja e madeira no nariz. Na boca, um vinho com taninos macios, com o álcool ainda bem presente e final de médio para longo. Pelo nível que conhecemos do Sideral, um pouco abaixo da média. Seria um ótimo vinho de R$ 80,00 e não o que ele vale, por volta de R$ 135,00. Mas não é o que se viu nos outros 3 vinhos.

O Sideral 2003 estava mais pronto para beber que o anterior. Isto muito provavelmente pelo ano quente que teve o Chile e as uvas acabaram amadurecendo antes. Este vinho pode-se dizer que é quase um 100% Cabernet Sauvignon. 84 % desta uva e mais 10% de Merlot e outros 6% de Sangiovese e Syrah. Pontuações mais altas, como 91 RP e 95 pela Wine&Spirits. A cor já mostrava que estava mais pronto para beber, com reflexos alaranjados no vinho. No nariz estava mais fechado, também com pimenta e um poucos de ervas e frutas negras. Mas na boca estava melhor, com taninos mais ásperos, porém com mais sabor, mais equilíbrio e final mais longo. Acidez um pouco maior também.

E para terminar os Siderais, veio o 2005, uma safra histórica para o Chile. Este vinho, ainda novo tem um futuro brilhante e maravilhoso pela frente. 87% de Cabernet Sauvignon e 13% de Carmanére, levou 91 pontos RP. No nariz, um vinho típico do Chile, com muita goiaba, pimenta, madeira e frutas vermelhas. Na boca, mais intenso, mais longo e taninos ainda verdes. Com o tempo no copo, apareceu um chocolate incrível. Um grande vinho!

E para arrebatar, veio a estrela da degustação, um Altair 2004. Uma cor ruby bem profunda, com alguma borra já e muita, muita fruta vermelha e madeira no nariz. Se o Sideral estava novo, o Altair estava um recém nascido. Ainda bem alcoólico, acidez equilibrada, excelente corpo e ainda deixava um chocolate na boca que vem de seus 18 meses em barricas. Um vinhaço que vale abrir daqui uns 4 anos, quando completar sua primeira década!

 

 

CHEERS!!

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Ontem coloquei um posto sobre uma vinícola italiana que tem usado a técnica/arte chinesa do Feng Shui para produzir vinhos. Mas surgiu uma dúvida do amigo Ciro que me fez ir até o arquivo de posts do blog para ver que eu nunca falei especificamente sobre este tema. Afinal, o que são os vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais?

O assunto por si só é extenso, já rendeu livros como o famoso “Vinho do Céu à Terra”, do papa da viticultura biodinamica, Nicolas Joly. Aliás, livro que ganhei do grande amigo e parceiro Estacio Rodrigues. Outro livro é de Luciano Percussi “’E vinho, naturalmente”. E devem haver outros, mas eu destaco estes dois caso alguém queira se aprofundar. Mas vamos lá, tentando ser objetivo.

O vinho orgânico vem de uvas cultivadas em uma agricultura orgânica, como qualquer fruta, legume ou verdura que vemos nos supermercados. São vinhedos sem qualquer tipo de agrotóxico ou elemento químico que possa “contaminar” as uvas. Ao longo do tempo, para evitar pragas, insetos e doenças, o homem descobriu formas de ver suas plantações livres de ataques indesejados e que pudessem comprometer seus produtos, suas safras e consequentemente seus lucros. Mas alguns produtores resolveram ir abandonando aos poucos estes químicos, alegando que eles interferiam no sabor final do vinho, coisa que de fato acontece, por “n” motivos técnicos que não vou entrar para não me alongar e porque realmente não sou um Nicolas Joly que domine o assunto a ponto de falar quais são os exatos efeitos na uva, na planta, na vinificação…! Neste tipo de agricultura, os adubos são naturais, como esterco de animais. Diferentes tipo de plantas como gramas e flores fazem parte do vinhedo, o que acaba atraindo insetos benéficos à plantação, pois fazem a polinização e atacam os inimigos naturais. E é assim que é feito o combate de algumas pragas, bem como outros animais que vivem nas plantações, caso de cachorros por exemplo que espantam alguns pássaros. A aragem da terra relembra os primórdios, com cavalos e a colheita é manual. Há outras normas e regras, como o uso apenas de fermentos naturais, mas não quero me alongar

E todo vinho biodinâmcio é obrigatoriamente um vinho orgânico! Mas a recíproca não é verdadeira. O vinho biodinâmico, além dos fatores acima, tem um “algo a mais”. Este algo a mais é o conceito de equilíbrio do ecossistema. A terra é tratada como um ser vivo e as fases de plantação, poda e colheita, muitas vezes são feitas de acordo com o calendário lunar e solar, pois há determinadas ocasiões que as plantas sentem e absorvem diferentes energias, dependendo da fase da lua e do sol. Nicolás Joly, por exemplo, usa algas marinhas no período de seca na floração ele usa arnica, que segundo ele, dá melhores brotos. Com isto, respeita-se totalmente o terroir em questão e as uvas estão saudáveis e puras. E aí vem a famosa expressão que alguns produtores usam, de que o vinho é feito no vinhedo e não na cantina (adega).

E quando eu comentei sobre “Vinho Natural”, foi apenas como uma expressão que muitos usam por aí, pois é uma explicação mais fácil sobre o significado de vinhos orgânicos e biodinamicos. Mas não que um vinho natural seja um outro tipo de vinho.

Como falei, o assunto pode render páginas e páginas. Mas espero ter explicado sucintamente um pouco de cada um.

CHEERS!!

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Como sempre foi, este blog é aberto para os amigos escreverem, comentarem e fazer o que quiseresm! Até falar mal (se não tiver palavrões…), o espaço tá aberto, afinal esta é a função de um blog e particularmente do EnoDeco! O texto abaixo foi escrito pelo grna de amigo e enófilo Edgard Calfat, um cara que realmente gosta e sabe o que é vinho bom! Ele comentou de uma degustação que fizeram, achei bacana e ele acabou fazendo um texto para compartilhar com todos! Ed, valeu e sempre que quiser, pode escrever mesmo!

CHEERS!!

“Semana passada tivemos mais um jantar, ocasião em que juntamos a “turma do vinho” sem um tema específico. Fomos no Piseli, com o serviço impecável do Fernando (um dos sommeliers do lugar).  Todos os vinhos estavam ótimos, como de praxe com essa turma, mas com duas grandes surpresas.

Começamos com uma Champagne Ruinart Rosé. Impecável e perfeita para o início da noite. Na sequência veio a 1ª grande surpresa: Sol de Sol Pinot Noir 08. O conhecido e reconhecido ícone sul-americano da uva Chardonnay Sol de Sol lançou sua 1ª safra de Pinot Noir. Grande surpresa, pelo que poderia ser um outro vinho desta vinícola tão gabaritada. Mas a surpresa para por aí…um Pinot muito sutil, de cor bem clara – lembrando muito mais um bourgogne na cor e um neo-zelandês mediano no aroma e paladar – diferente dos potentes Pinots chilenos. O que alguns poderiam chamar de feminino, refinado, sutil, etc, nesse caso eu chamaria de quase inexpressivo. Pelo preço, há opções bem melhores, tanto no Chile quanto na Argentina.
Depois abrimos juntos o San Pedro Cabo de Hornos 03 e o Santa Rita Casa Real 03, ambos possivelmente entre os top ten chilenos. Por serem da mesma safra a comparação foi pertinente. No início o estilo parecia o mesmo, ainda que cada um com suas características. Depois de 30 min no decanter, o Cabo de Hornos se destacou pela elegância, ainda que muito potente, enquanto o Casa Real além de ligeiramente mais complexo, estava extremamente intenso e persistente.

Terminamos a noite com a maior surpresa de todas. O vinho veio com o rótulo coberto, o que, é verdade, já induz a pensarmos que se trata de um grande vinho. Todos suspirando e arriscando palpites diversos…Chile, Argentina, Austrália e até Portugal. Gafes à parte, nesse caso elas foram aceitáveis…era um brasileiro: Miolo Sesmarias 2008. O melhor brasileiro que já provei. Soube nessa noite que esse vinho venceu em degustação às cegas com outro grupo o Almaviva e o Clos Apalta. Pode parecer um exagero, mas o fato é real e o vinho, apesar de incríveis 270,00, merece ser provado. No mínimo para muitos saírem da ignorância sobre o potencial dos vinhos nacionais.
 
 
- Sol de Sol Pinot Noir 2008
- Sta Rita Casa Real 2003
- Cabo de Hornos 2003
- SESMARIAS 2008

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Neste feriado resolvi, por conta do tempo frio, fazer algo que há tempos eu não fazia: Comer fondue e beber um bom vinho branco, ao invés do tinto. Confesso que mesmo sabendo das regras e que o correto para acompanhar o fondue é o vinho branco, acabamos muitas vezes preferindo o tinto pois é o vinho preferido das pessoas, inclusive o meu.

Sabendo que íamos comer um fondue, fui comprar um bom vinho branco para relembrar esta harmonização.  Fui atrás de um branco não tão amadeirado, mas com um certo corpo para não se perder no queijo do fondue. Acabei pegando um vinho que eu nunca havia tomado o Trio, da Conha y Toro, que é feito com Chardonnay, Pinot Blanc e Pinot Grigio, safra 2008. Já conhecia o Trio Tinto, mas este branco ainda não. Um ótimo vinho pelos R$ 42,00 que paguei. Tomei antes de comer o fondue para poder analisar direito e me surpreendeu. Um vinho com muita fruta tropical no nariz, especialmente abacaxi e uma madeira de fundo bem balanceada. Na boca, boa acidez, bem equilibrada com o álcool e além das frutas tropicais que comentei, um leve toque cítrico, que deve vir da Pinot Grigio.

Sobre a harmonização, não me arrependi de “voltar às origens” e seguir a cartilha do casamento entre comida e bebida. Realmente não é por acaso que o vinho branco é a combinação perfeita com o fondue. Não que as vezes que comi com vinho tinto foram ruins, pelo contrário. Mas desta vez deu para sentir muito mais o sabor do queijo e a acidez do vinho, que geralmente é maior nos brancos, ajudava a realçar estes sabores e o mais importante, sem se sobrepor ou ficar aquém do fondue. Ou seja, um belo jantar, seguindo a cartilha da harmonização e ainda por cima conhecendo um vinho novo, o que é sempre interessante para qualquer enófilo…

 

Se posso então dar uma dica, esta é: Fondue com vinho tinto é muito bom! Mas fondue com vinho branco é sensacional!!!

 

CHEERS!!

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Para não advogar em causa própria e falar bem dos blogs e da importancia deles na construção de um mercado mais forte, mais interativo, saudável e democrático, vou colocar aqui um link bem interessante de uma entrevista feita pelos amigos Daniel Perches e Beto duarte com ninguém menos que a Diretora Geral do Chateau Phélan-Segur, um dos mais importantes produtores de Bordeaux.

Nesta entrevista ela diz coisas que algumas pessoas ainda hesitam em acreditar e dizer. Mas acredito piamente que estas pessoas serão deixadas pra trás naturalmente, atropeladas pelas interatividade, pelo relacionamento direto com o consumidor e pela troca de informações e experiências destas novas e dinâmicas mídias. Espero que gostem!!

http://www.enoblogs.com.br/blog/index.php/2010/10/a-importancia-dos-blogs-o-outro-lado-da-moeda/

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Ontem foi uma noite especial! Fui convidado a criar e conduzir um bate-papo sobre vinhos para uma das mais importantes agências de eventos, promoção e ativação, a Momentum, que faz parte do McCann World Group, um dos maiores grupos de comunicação do mundo. O convite foi um tanto quanto diferente, mas extremamente pertinente. A encomenda foi falar e trocar idéias com os diretores da empresa sobre “Como se sair bem na frente de um cliente quando o assunto é o Vinho”. E como explicou Marcos Lacerda, presidente da agência, na introdução, este é um assunto que além de interessante para as pessoas, deve ser tratado com seriedade e precisa de cuidados para não fazer feio num almoço, jantar ou qualquer evento que se está acompanhado de um cliente, geralmente grandes empresários, diretores ou gerentes de grandes empresas.

O evento fluiu muito bem e não precisei muito do roteiro que eu tinha feito pois as perguntas e dúvidas de todos eram exatamente o que estava no roteiro. Começando com assuntos como a diferença de produção de vinhos brancos, tintos, rosés, espumantes e fortificados, falamos também sobre armazenamento, serviço dos vinhos, mitos e verdades, pegadinhas comuns como ver um vinho “Reserva” na carta do restaurante por R$ 50,00 e achar que está pedindo um vinhaço somente por ser “Reserva” e outras dúvidas que acabaram surgindo e deixaram o bate-papo descontraído e agradável.

Terminamos degustando um espumante argentino, 2 vinhos brancos feitos com Chardonnay, sendo um reserva e outro não, exatamente para mostrar a diferença, depois foram 2 tintos bem emblemáticos para mostrar as diferenças entre ”Novo”e “Velho” Mundos. Um Malbec Argentino, 12 meses de madeira e um vinho do Rhone, do Domaines Perrin, corte de Grenache e Syrah. E terminamos com um Late Harvest chileno.

Claro que nestes eventos alguns comentários curiosos surgem no meio do caminho e marcam a todos, principalmente depois de alguns goles de vinho. Neste caso tivemos 2 comentários que agitaram o bate-papo: Um deles foi uma constatação de que bacalhau não é um peixe! E logo em seguida, vem a pergunta: “Então o que é? Um Boi?”… Na verdade a discussão foi pelo fato de alguns dizerem que  bacalhau é o nome do processo de salgamento e ressecamento da espécie de peixe chamada Gadus Morhua. Mas até explicar, as piadas tomaram conta da sala. Mas continuo sem saber a explicação técninca final! O outro momento interessante foi a constatação de um dos participantes que o vinho francês tinha aromas de Peroba Rosa! Falar no aroma de carvalho, de madeira em geral, tá certo! Mas daí identificar que é uma Peroba Rosa, mais motivos para piadas! Sempre saudáveis e que divertiram o evento.

Achei que o saldo final foi muito bom! Além de todos parecerem interessados, o formato de bate-papo e tira-dúvidas foi descontraído e ao mesmo tempo, acredito eu, instrutivo! Valeu a todos que participaram e fico esperando a amostra de Peroba Rosa que prometeram para comprovar o aroma daquele vinho!

 

CHEERS!!

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Texto Arthur de Azevedo Revista da TAM

Amigos,

Recentemente li um artigo do Sr. Arthur de Azevedo na Revista da TAM (Cliquem no Link Acima) e fiquei um pouco decepcionado com o que li. Decepcionado, pois Sr. Arthur é uma pessoa que não conheço pessoalmente, mas que tem um nome e uma importância neste nosso mercado do vinho. Posso sim dizer que é uma pessoa admirada por muitos e até por mim. A ABS, talvez a maior entidade deste mercado está intimamente ligada a ele e não dá para negar que seu nome é uma referência para muita gente.

Mas acho que algo levou o Sr. Arthur a meter os pés pelas mãos. Neste recente artigo, ele diz que o “Fenômeno mundial do amadorismo”, termo que sintetiza a visão dele sobre Facebook, Twitter e Blogs, chegou com força ao mundo do vinho e que pessoas sem instrução e conhecimento estão dando opiniões infundadas sobre vinhos, sem embasamento algum. Mais a frente ele fala algo que para mim, é pior: “Instituiu-se uma campanha para desmoralizar os especialistas, disseminando a idéia que qualquer um pode avaliar tecnicamente um vinho. Nada mais falso e perigoso para o consumidor. Tal fato é facilmente comprovado quando quando se trata de aprofundar  nos textos desses blogs.”

Achei de uma infelicidade enorme este texto do Sr. Arthur, que por mais respeitado que seja neste mercado, não deveria GENERALIZAR e colocar todos os blogueiros e pessoas que escrevem de vinho num mesmo saco de amadores e sem conhecimentos. Há blogueiros que não tem muito conhecimento ou fundamento? Sim, há! Como há profissionais assim em qualquer mercado. Mas conheço alguns blogueiros de vinho e digo que estes todos tem sim conhecimento e base para falar o que falam. E muitas vezes falam até melhor que muitos graduados especialistas por aí. Alguns blogueiros são sommeliers formados. Outros fizeram cursos importantes e reconhecidos como eu, que acabo de passar um mês em NYC fazendo o WSET, escola que tem Jancis Robinson como madrinha. Então, acho que esta GENERALIZAÇÃO foi um enorme equívoco dele.

Outro ponto que merece a atenção dele é o movimento cada vez maior do mundo do vinho para desmistificar que esta bebida é “para poucos”, que é uma bebida de elite. Cada vez mais temos pessoas bebendo vinho e este é um movimento benéfico para todos! O mercado quer e precisa crescer. Queremos que o vinho seja uma bebida cada vez mais eclética e sem mitos e imagem de bebida de “fresco”. E não há como fazer este mercado crescer e amadurecer sem a internet. E a internet é feita de pessoas que falam e que opinam. Não dá para fugir disto pois é uma realidade que todos estamos passando. Então, se queremos o mercado mais maduro e consciente, temos que unir forças e caminharmos juntos. Declarar guerra aos blogueiros ou quem quer que seja, só vai atrapalhar e atravancar esta evolução que queremos e esperamos do mercado do vinho.

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Premiações são comuns no mundo do vinho. Anualmente, diversos concursos e competições são realizadas pelo mundo e os resultados são divulgados nas revistas especializadas, blogs, jornais, sites e até mesmo nas próprias garrafas. Mas muita gente questiona os critérios e notas recebidas pelos vinhos e até onde isto realmente significa que o vinho é bom ou que o Vinho A é melhor que o Vinho B. Há até os mais extremistas que criticam estes concursos dizendo que não deve ser levado em conta um concurso que diz que um Pinot Noir do Chile ou da Nova Zelandia ganhaou o título de “Melhor Pinot Noir” se ele não foi comparado por exemplo com os grandes Borgonhas cujas garrafas chegam a valer alguns milhares de dólares. Mas esquecem eles que a função destes concursos não é eleger o melhor vinho do mundo e sim atestar a qualidade e a seriedade do trabalho feito por produtores e enólogos no mundo todo. Enfim, concursos e premiações devem ser levados em consideração na hora de precificar um vinho? E para o consumidor, devemos comprar um vinho apenas porque ele é premiado? Vejam que, antes de dar minha opinião, queria deixar uma coisa clara: Não estou falando de pontuações de especialistas como Parker e Wine Spectator por exemplo. Isto é assunto para um outro post…

Voltando às perguntas iniciais. Começo dizendo algo que sempre prego aqui no blog. Procure saber que tipo de vinho você gosta, seja na uva, no estilo, no corpo e depois vá atrás dos rótulos que lhe satisfazem. Estes são os melhores vinhos para você.

Os concursos que são realizados em muitos países servem como parâmetro de mercado e como ferramenta de informação para os consumidores e para a indústria. Um exemplo prático: Se por exemplo alguém quiser comprar um vinho e acha na estante 2 rótulos parecidos, com o mesmo preço, da mesma safra, mesma uva, mesma região, mas de produtores diferentes e um deles tem um selo que diz “Medalha de Ouro no Concurso Internacional de Bruxelas”, qual é a tendência? Que o vinho escolhido seja o premiado. Aí está uma função do concurso: Dizer ao consumidor que este vinho foi avaliado por conhecedores de diversos tipos e que na média, ele teve notas altas e de acordo com os critérios estabelecidos para aquele concurso, mereceu a medalha de ouro. Há os que não gostam ou acham que isto é puro Marketing, mas eu sou a favor destas premiações e acho que se usadas com responsabilidade, elas nos ajudam na hora de escolher um determinado vinho. Diga-se de passagem que as notas, para os que não tem muita familiaridade com avaliações e concursos, são compostas por diversos elementos que são analisados no vinho, sempre degustados às cegas, dese a cor até o residual que ele deixa na boca. E em muitos casos até o preço, o que poderá classificá-lo ainda como um “Best Buy” (Boa Compra). E a somatória de cada elemento dá a nota final, que geralmente vai até 100 pontos.

É claro que há concursos e concursos. Há os mais tradicionais e conhecidos , realizados por instituições sérias, mas há também os menos conhecidos e que ainda não alcançaram o reconhecimento dos maiores, mas que se forem realizados com consistência, com critérios bem definidos e com avaliadores competentes, logo farão parte dos mais importantes.

O importante, na minha opinião é em primeiríssimo lugar, não se deixar levar APENAS pelas premiações que o vinho recebeu. Isto deve ser sim um critério de escolha, mas apenas depois que você escolheu seu estilo, sua uva, sua região, etc. Afinal, se quem vai tomar o vinho é você, o gosto que mais importa é o seu e não o dos jurados dos concursos.  

 

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Ontem tive o prazer de ser convidado para o lançamento da Vinícola Bueno, projeto tão sonhado pelo narrador e apresentador Galvão Bueno. O evento foi na Dorothy Parker e foi muito bem organizado, com muito bom gosto.

A Vinícola Bueno nasceu de um sonho antigo do apresentador, enófilo assumido, em ter seus próprios vinhos. E o sonho foi realizado graças à parceria dele com a Miolo e o famoso consultor Michel Rolland. Nasceu então a Vinícola Bueno, com 2 vinhos: O Espumante Bueno Cuvée Prestige, elaborado através do método tradicional e um corte de Pinot Noir e Chardonnay, feito em Garibaldi, no Vale dos Vinhedos. O espumante é realmente bem gostoso, consistente e de boa qualidade, assim como muitos que andamos produzindo cada vez melhores.

O vinho tinto, o Bueno Paralelo 31, é um corte também de cabernet sauvignon, merlot e petit verdot. No nariz ele tem um pouco de madeira e frutas negras e na boca tem intensidade, volume, mas seu final não é tão longo e persistente. Um vinho bem feito, mas o destaque para mim vai realmente para o espumante!

Sobre o evento, ele era mais um evento global e futebolístico do que realmente focado no mundo do vinho. Restauranteurs famosos de São Paulo como Lamberto Percussi e Roberto Raviolli marcaram presença, em meio a outras personalidades, entre elas o ídolo tricolor Zetti, o novo técnico da seleção brasileira Mano Menezes, Ronaldo Fenômeno, Felipe Massa, Rubens Barrichelo (que piadas à parte chegou depois do Massa…rs!), Roberto Rivellino, Jô Soares, além dos companheiros de Galvão na Globo como Arnaldo Cézar Coelho, Cléber Machado, Mauro Naves, Renato Maurício Prado, entre outros.

Assim como já falei qeui anteriormente, acho a inicativa muito bacana, afinal, que enófilo nunca sonhou ter seu próprio vinho? Mas para que o vinho realmente seja reconhecido, ele não pode ter apenas o “nome” e o marketing. Ele precisa ter qualidade! Os vinhos do Galvão estão no caminho certo, mas olhos abertos para não focar muito no marketing e esquecer a quaidade, hein Galvão? Parabéns e Sucesso!

CHEERS!!

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Já coloquei aqui no blog alguns posts sobe os vinhos australianos, pois eles tem investido e lançando diversas ações para tornar seus vinhos mais conhecidos. Além disto, tem havido um movimento de maior controle da produção, para que produzam menos vinhos, com mais qualidade. E parece que a iniciativa anda dando resultado, pois a safra de 2010 teve um decréscimo de 12% na produção e um aumento de 22% nas exportações. Apesar dos bons números, eles ainda precisam desovar os estoques de safras mais antigas.

Estas ações e números mostram o que é um mercado maduro, preocupado com a qualidade e não com a quantidade. É claro que a cadeia busca cada vez mais lucros, mas às vezes é preciso dar um passo para trás e rever alguns conceitos. No caso australiano, detectou-se que a diminuição na produção, por mais que isto gerasse menos quantidade de vinho a ser vendida, seria benéfica para o mercado e para a qualidade do produto final. E este trablaho de “imagem” certamente vai influenciar os preços das safras futuras, pois quanto maior a qualidade do vinho, maior será o seu valor agregado. E maiores serão os lucros!

CHEERS!!

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A GUERRA DAS ROLHAS! É assim que podemos chamar a batalha que ganha novos capítulos a cada dia que passa. Todos nós já ouvimos e discutimos alguma vez sobre isto. Afinal, alguns não abrem mão da tradicional e charmosa rolha de cortiça, outros acham que o mundo precisa evoluir e as rolhas sintéticas e screw caps são a salvação para os vinhos. E outros, como eu, ficam felizes em tomar bons vinhos independentemente do tipo de fechamento, afinal todos eles tem seus pontos positivos e negativos. Mas precisamos lembrar que além de nós consumidores, há uma indústria por trás disto. É aí que a GUERRA DAS ROLHAS começa.

 

Foi lançada recentemente a campanha “100 Percent Cork” (100% cortiça) que tem como objetivo defender as rolhas de cortiça das tampas de alumínio (screw cap) e das rolhas sintéticas. Hoje, a campanha tem mais de 15.000 adesões no Facebook e ela tenta passar os benefícios das rolhas de cortiça. O principal argumento é a consciência ambiental, pois as rolhas artificiais são fabricadas por indústrias e estas emitem mais poluentes durante sua fabricação. Mas tem também o apelo emocional, o charme delas.

Outra campanha está sendo lançada em defesa das rolhas de cortiça, novamente com um apelo sustentável. Reciclagem de rolhas de cortiça. Segundo a “Cork ReHarvest”, empresa lançada em 2008 com este intuito, cerca de 13 bilhões de rolhas são utilizadas por ano em todo mundo. Desse número, apenas um terço é reciclado. E de acordo com os dados, um número impressiona: Existe quantidade suficiente de rolhas de cortiça já usadas para tampar cada garrafa de vinho consumido nos Estados unidos durante os próximos 100 anos. A idéia é que os consumidores levem suas rolhas usadas para as lojas parceiras e que de lá, elas sejam encaminhadas para as fábricas, onde serão moídas e misturadas a papéis de jornal e se transformarão em caixas de vinho. Além disto, a entidade prega outros usos da cortiça, como na fabricação de sapatos, embalagens, móveis e muitas outras coisas.

Mas há o outro lado da moeda. E este lado foi batizado ”Uncorking Revolution”. Este movimento está sendo encabeçado pela vinícola Wine Guerilla, da Califórnia. Aliás, não poderia ter nome melhor para se entrar nesta guerra…

A vinícola defende ferrenhamente as roscas de alumínio, tanto pela seu fácil manuseamento, como também por elas não afetarem a qualidade do vinho, argumento este muito utilizado pelos defensores das rolhas artificiais. Eles defendem o progresso e a evolução do mercado e não se dizem completamente contra a cortiça, mas que precisa ser diminuída a quantidade. 

Enfim amigos, seja qual for a rolha, para mim o importante é o líquido que está dentro. Claro que todos temos nossas preferências e que há pontos positivos e negativos em ambos os lados, além é claro do interesse econômico das partes envolvidas. Mas isto não pode afetar nosso precioso líquido. Aguardemos os próximos capítulos…

CHEERS!!

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Este final de semana resolvi tomar coragem e abrir um vinho que estava me despertando muita curiosidade: Don Laurindo Cabernet Sauvignon Reserva 2002. Se temos visto que nossos vinhos e espumantes têm melhorado ano após ano de qualidade, que tal então experimentar um vinho de 2002, quando ainda não tínhamos tanto reconhecimento como hoje? Pois bem, abri o dito cujo e fiquei atento a tudo desde o primeiro segundo que coloquei o saca-rolhas para abrir.

Primeiro bom sinal: Rolha intacta, perfeita, de boa qualidade e não se despedaçou. E nada de cheiros estranhos nela depois que foi retirada.

Segundo bom sinal: Ao cheirar o vinho ainda dentro da garrafa, num primeiro momento, nada de estranho.

Terceiro bom sinal: Coloquei na taça, apesar de um pouco turvo (nada que pudesse desqualificar o vinho), tudo normal. Cor já meio atijolada, pela idade do vinho.

Quarto bom sinal: Aromas na taça perfeitos. Couro, muito couro! Um pouco de mel também. E olha que eu não costumo colocar tipos de aromar e afins pois acho isto muito pessoal, mas estes aromas qualquer um sentiria. Enfim, por enquanto tudo indicava um bom vinho brasileiro de 8 anos de idade!

Quinto e último bom sinal: Na boca estava delicioso, persistente, ótimo corpo e um final de boca muito bom. Não preciso fazer conclusões, né? Mais uma bela surpresa, desta vez de 8 anos de idade, que veio de nossos terroirs. Já visitei a Don Laurindo 2 vezes quando fui a Bento Gonçalves e vi in loco o cuidado com que eles tratam e produzem seus vinhos. Já é uma vinícola conhecida, apesar de não ter o tamanho que uma Miolo ou uma Salton tem, exatamente pela qualidade dos seus vinhos.

Esta foi minha primeira experiência com um vinho nacional de mais de 5 anos de idade e foi muito bacana. Vou procurar mais vinhos nacionais antigos para brincar…

CHEERS!!

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Ontem recebi uma dica do Bernardo Pontes sobre este link e resolvi compartilhar com vocês pois realmente vale a pena. Tanto para os que gostam de vinho como para quem trabalha com comunicação, principalmente com internet, esta experiência é extremamente interessante.

A famosa e tradicional vinícola espanhola Marques de Riscal tem um conceito muito bacana de antagonismos. É uma bodega tradicional, antiga, datada do ano de 1858. Mas é só darem uma olhada na arquitetura da Bodega que logo entenderão o antagonismo que comentei. Linhas modernas, materiais contemporâneos, que fogem das construções antigas. Curvas ao invés de linhas retas. É realmente fascinante. Ela também produz ótimos vinhos, alguns com caráter mais tradicionais, outros mais modernos.

Mas o que me motivou colocar no blog é a parte do site deles chamada “Vivid Sensations” pra quem optar pelo idioma inglês ou “Sensaciones Vivas” se for em espanhol. É literalmente uma experiência no mundo virtual. Mas para sentirem o efeito que eles tentam passar, é preciso que tenham uns 10 minutos para se concentrarem e realmente “se entregarem” e interagirem como manda o figurino. E digo que vale a pena para os amantes do vinho e para pessoas que queiram apenas ver algo diferente e bacana na internet.

O site deles é  http://www.marquesderiscal.com/. Lá vá para “Vivid Sensations” ou “Sensaciones Vivas”.

Valeu a dica Bernardo!

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Fiquei muito feliz com 3 notícias fresquinhas que acabam de sair do forno sobre os nossos vinhos brasileiros, que estão cada vez mais alcançando excelentes níveis de qualidade.

A primeira é sobre a Vinícola Franco-Italiana, pouco conhecida do público geral, mas que eu já havia falado sobre ela aqui no blog.  55 degustadores, sendo 36 nacionais e 19 internacionais, avaliaram as 457 amostras de vinhos inscritas por 15 países no 5º Concurso Internacional de Vinhos do Brasil realizado de 5 a 8 de julho pela Associação Brasileira de Enologia (ABE). Entre outros resultados, 2 expressivos prêmios foram conquistados pela vinícola:

OURO – Espumante Moscatel Franco Italiano.

PRATA – Censurato Reserva Cabernet Sauvignon.

Coincidentemente na semana passada provei este 2 vinhos, que me foram enviados gentilmente junto a 4 outros pelo Fernando Camargo, da vinícola Franco-Italiana. E realmente pude comprovar a qualidade deles. O que mais me chamou a atenção foi o Censurato Cabernet Sauvignon Reserva, que se mostrou um belíssimo vinho, à altura de bons chilenos e argentinos. Consistente, saboroso e principalmente persistente. Este vinho realmente me impressionou. Prêmios merecidos e pelo jeito devem vir mais por aí. Fernando e equipe, parabéns pelo trabalho!

A segunda notícia vem de alguém já bem maior e acostumado com premiações. O Miolo Merlot Terroir 2005, feito com a parceria de Michel Rolland, foi escolhido, em Londres, em uma degustação às cegas, o melhor Merlot do evento por um júri composto de 40 profissionais sommeliers e jornalistas, entre eles, 15 do seleto grupo dos 280 Master of Wine do mundo. Além disto, entre os dez melhores, oito são brasileiros. Esta já é a quinta conquista do vinho, que já foi premiado no Vinalies Internationales America Latina (Chile), Internacional Wine Challenge 2008 (Inglaterra), Decanter World Wine Awards 2009 (Inglaterra) e foi eleito o melhor tinto do Brasil em degustação da Revista Gula.

E por último é sobre um comentário deixado pelo Marcel, do site Vinhos do Brasil dizendo recentemente fizeram um teste cego filmado para provar a qualidade do vinho nacional. Ele foi realizado durante a Expovinis e no restaurante Peppo, em Porto Alegre. Eles ofereceram um vinho sem rótulo para as pessoas e perguntavam se eles sabiam de que país achavam que era o vinho degustado. E o resultado mostrou o quanto nós ainda somos guiados por rótulos e não confimaos nos nossos produtos: 80% das pessoas responderam que o vinho era de outra nacionalidade que não o Brasil. O link para o vídeo da ação é este http://www.youtube.com/watch?v=D4upVZ3eayY .

De tudo isto, podemos tirar apenas uma conclusão: Precisamos confiar e beber mais os bons vinhos nacionais e pararmos com a síndrome de patinho feio que nos acompanha neste mundo vinícola!

 

CHEERS!!

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Hoje me bateu uma curiosidade de ir atrás de informações sobre outros países da América Latina que produzem vinhos. Já sabemos bem que a Argentina, famosa por seus Malbecs e o Chile com a Carmenère e a Cabernet Sauvignon, são as grandes potências latino-americanas no mundo do vinho, contando ainda com coadjuvantes como Uruguai e seus Tannats e o Brasil com seus espumantes e alguns Merlots. Mas, existe algum outro país destas bandas de cá que produzem bons vinhos? Por mais incrível que pareça, a resposta é SIM!

Um ponto de partida importante é não comparar os países que citarei a seguir com os acima descritos. Mesmo o Brasil dá bons sinais de estar à frente deles.

Então vamos lá: são 3 os países que produzem vinhos de uma certa qualidade. México, Perú e Bolívia, sendo que o mais famoso talvez seja o México. Vamos então falar um pouco sobre cada país:

O México tem na região da Baja California, literalmente “abaixo da California Americana” quase que a totalidade de sua produção. Cerca de 90% dos vinhos mexicanos saem de lá. O maior nome do vinho por lá é Luiz Agostín Cetto e nos últimos anos tem surgido outro grande nome, que é Hugo d´Acosta e sua Cave de Piedra, que produz um Sauvignon Blanc muito elogiado por Jancis Robinson, famosa crítica inglesa de vinhos. É bem provável que este país se destaque bastante daqui há alguns anos.

O Peru é o país mais antigo no cultivo de vinhedos, quando por volta de 1547 foram plantados as primeiras plantas. Mas as pragas que não afetaram Argentina e Chile por volta de 1890, assolaram o Perú e a viticultura só voltou a fazer parte da economia e agricultura local depois de 1960. Os vinhedos estão situados na costa do Pacífico, perto de Pisco e Ica (perto de Lima). Na costa norte, há alguns vinhedos de altitude, com até 1.500m acima do nível do mar.  A vinícola mais conhecida é a  Viña Tacama.  Outra vinícola relativamente famosa por lá é a Vinos Tabernero.

   

Por fim, a Bolívia tem como principal característica os vinhos de altitude. A principal região produtora éo Vale de Tarija, que tem uma variação de altura muito grande, que vai de 1800 a 2800 metros. A boa insolação, o solo seco e pedregoso, a pouca quantidade de chuva e boa água de montanha para irrigação fazem desta região uma das melhores da América do Sul. O que resta agora é investir em conhecimento e mentalidade para produzir bons vinhos. Se isto for feito, podemos ter agradáveis surpresas pela frente. As vinícolas mais famosas são La Concepción e Campos de Solana.

O que nos resta agora é ir atrás de exemplares destes vinhos para ver a quantas andam e se realmente eles podem ter um futuro tão bom como nossos amigos chilenos e argentinos.

 

 

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Estava em casa folheando o catálogo do novo mundo que a World Wine fez e comecei a ver mais atentamente o que eles falam sobre as vinícolas que eles representam , o que falam sobre os vinhos e mais uma vez me saltaram aos olhos 2 vinícolas diferentes, com propostas e histórias que saem um pouco do padrão da maioria. Odfjell e Domaine Clos Ouvert. Já falei um pouco sobre as duas aqui no blog, um pouco mais sobre a Odfjell, mas acho que vale um post para falar mais sobre elas.

A Odfjell nasceu de um encantamento de um armador norueguês que há 25 anos foi ao Chile e por lá ficou. Acostumado com um clima frio e chuvoso, encontrou no Vale do Maipo uma alegria, um sol, um clima que o fez fincar suas raízes por lá. Sua paixão pelo vinho juntou-se à recente paixão pelo Chile e ainda contou com a ajuda de nomes como Paul Hobbs (California), Arnaud Hereu (Bordeaux) e Arturo Labbe (Chile). Assim nasceram as 3 linhas iniciais da vinícola: Armador (Varietais de Sauvignon Blanc, Cabernet Sauvignon, Carmenère e Syrah), Orzada (Varietais de Cabernet Sauvignon, Carmenère, Syrah, Cabernet Franc e Carignan, além do Malbec Organico) e a última linha delas, o Aliara, que é um vinho Premium, de corte com Syrah, Malbec, Carignan e Cabernet Suvignon. Recentemente lançaram um vinho super Premium, que ainda não provei, o Odfjell, muito bem pontuado por RP e pela WS. É um varietal, 100% Carmenère. Posso falar com propriedade sobre estes vinhos, pois já experimentei quase todos (Exceto o Sauvignon Blanc e o Orzada Cabernet Sauvignon) e digo que são vinhos diferentes. Fogem dos vinhos comuns, extremamente frutados, com uma madeira carregada e muito álcool. Eles são diferentes, pois tem madeira sim, mas sem excessos e isto os deixa mais agradáveis, elegantes e conseguimos sentir mais os aromas e sabores pois a madeira e o álcool em excesso não encobrem a qualidade das uvas. São vinhos complexos, diferentes e portanto não vão agradar àqueles que gostam daquele “doce” da madeira que passa chocolate, vanilla.

O Domaine Clos Ouvert é um caso especial no Chile. É um projeto tocado por dois jovens enólogos franceses no Vale do Maule. O interessante deste projeto é que os vinhos são feitos com uvas provenientes de videiras com mais de 100 anos de idade. Todos os vinhos são cultivados sob a ótica da Biodinâmica e os produtores levam muito a sério este conceito. Tanto é que no rótulo dos vinhos há uma frase que diz “Vino Puro”. Além disto, Marcel Lapierre, consultor e supervisor do projeto, implementou uma técnica pouco presente no novo mundo, mas que ele domina e tem muito conhecimento, pois ele aplicava muito na região de Beaujolais nos vinhos que fazia. É a técnica da maceração carbônica que vinifica seus vinhos com seus cachos e engaços.

Sobre os vinhos: São elegantes, complexos e assim com os vinhos da Odfjell, fogem do padrão “álcool-madeira”. Os vinhos são o Franco Chileno (Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon), Otoño (Carmenère, Syrah, Cabernet Sauvignon, Carignan e Tinta del País), Primavera (Carignan, Syrah, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc) e o único varietal da vinícola, o Serena 100% Syrah. Destes eu provei apenas o Primavera e o Serena, que me impressionaram pela elegância. Mas imagino que os outros devam seguir o mesmo padrão.

Enfim, queria contar um pouco mais sobre estes vinhos, por serem diferentes e terem propostas bacanas e que fogem da mesmice. São vinhos que valem a pena conhecer!

 

 

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Este último final de semana foi especial. Além de ter passado 2 fantásticos dias com a família Oliveira, resolvi levar 2 vinhos que estava curioso para abrir e que foram comprados in loco, na vinícola. Além disto, pesa ainda mais o fato deste vinho não existir mais, infelizmente. É o Paul Bruno Cabernet Sauvignon, da premiada Viña Aquitania.

Fomos para lá em Agosto de 2008, visitamos a vinícola e ao comprar os vinhos que traria ao Brasil, além do fantástico tinto Lazuli e do premiado e delicioso chardonnay Sol de Sol, eles me mostraram um vinho que não é mais produzido, o Paul Bruno. O nome deste vinho é uma homenagem aos 2 sócios e idealizadores da vinícola. Em 1984, juntamente com o competente enólogo chileno Felipe de Solminihac, o francês Ghislain de Montgolfier , enólogo da Bollinger (Champagne), Bruno Prats e Paul Pontallier, decidiram procurar terras de qualidade para produzir vinhos no Chile. E conhecimento, eles tinham: Bruno foi enólogo do famoso bordalês Cos D´Estournel  e Paul foi “apenas” enólogo do Chateau Margaux. Surgiu então o Domaine Paul Bruno, que depois virou a Viña Aquitania. Encravada no Valle do Maipo, cercada pelos Andes e pela cidade de Santiago, impressiona pelo seu tamanho. Não, ela não é grande, pelo contrário. São pouco mais de 40 hecatres de terra, “colados” na poluída e bonita Santiago. E lá eles fazem vinhos maravilhosos!

Sobre os vinhos tomados: Paul Bruno Cabernet Sauvignon 1999 e Paul Bruno Cabernet Sauvignon 2000. Estava com receio dos vinhos terem passado. Um com 10 e outro com 11 anos, eu não sabia ao certo se teriam agüentado todo este tempo. E agüentaram bem! Estavam no ponto certo para serem tomados! Ambos já com uma cor mais atijolada, denunciando uma certa idade. O 1999 está no auge! Couro, madeira, manteiga, um pouco de ervas e as famosas frutas vermelhas dos cabernets chilenos. Mas estas, menos intensas já pelos 11 anos do vinho. Líquido fantástico, que deve ser bebido já! Já o 2000 ainda agüenta uns 2 anos de adega, mas mesmo hoje está espetacular. Nele, as frutas são mais intensas, que juntamente com a madeira deixam este vinho de 10 anos fácil e muito agradável de beber. Ele é mais persistente e intenso que o 1999, mas é impressionante ver como a diferença de apenas 1 ano os faz bem diferentes.

Foram vinhos fantásticos, num lugar fantástico, com companhias fantásticas. Precisa de mais alguma coisa?

 

 

CHEERS!! 

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Semana passada postei um curioso vídeo em que um cidadão abria um vinho com um sapato. Pois bem, o post me deu a idéia de falar um pouco sobre este indispensável item no arsenal de um enófilo ou mesmo de qualquer mortal que queira abrir um vinho em casa: O saca-rolhas.

São inúmeros tipos existentes. Viraram até objeto de arte e de invenções e modelos diferentes e inusitados não faltam. Mas temos que ter na cabeça que o design, neste caso é secundário. O importante é ter um saca-rolhas eficiente, pois por mais simples que pareça abrir um vinho, esta tarefa pode se tornar uma tortura e passível de vergonha na frente dos amigos. Quem nunca foi abrir um vinho e a rolha se despedaçou, ou entrou para dentro da garrafa?

Claro que alguns vinhos tem suas rolhas de má qualidade e nestes casos não há saca-rolhas que faça milagre. Mas um bom saca-rolhas evita alguns vexames, além de não deixar pedaços ou resíduos no vinho. Cada pessoa tem um modelo que prefere. Eu particularmente gosto daquele mais básico e prático, o “modelo sommelier”, aquele de “2 fases. É raro algo dar errado com este modelo. Não tem nada de design, mas é prático.

 

Tem aqueles mais modernos e tecnológicos “Screwpull”, que exigem menos esforço, mas às vezes falham. Fazem uma boa “vista” aos amigos pois é mais modernoso e chama a atenção.

 

Tem também aqueles mais antigos, que funcionam, mas exigem uma força extra e às vezes também nos deixam na mão. Estes tem um “Q” de retrô.

             

Outro que é muito funcional em determinados casos que a rolha já está danificada é o saca-rolhas de lâminas , que vai pelas laterais da rolha e assim não fura ou força um rompimento que pode atrapalhar tudo!

E por curiosidade, fui atrás de alguns outros, que são os mais voltados ao design, alguns bem curiosos!

                

CHEERS!!

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No começo do mês passei uma semana em Nova York e como havia muito tempo que eu não ia para lá, obviamente não deu para me aprofundar na cidade, ir a todas as lojas de vinho e restaurantes que me indicaram. Procurei então ir aos lugares que foram muito indicados e que certamente não teriam erro.

Não vou ficar aqui falando de todos os restaurantes em detalhe. Vou citar todos os que fui, mas quero focar no serviço do vinho em geral nos restaurantes e também na única loja de vinhos que fui lá.

Sobre os restaurantes, fui no Mercer Kitchen, Bottega Del Vino, Serafina, Balthazar, Nello,  Le Bilbouquet e no famoso PJ Clarke´s, que obviamente não pedi vinho. Em todos os outros eu pedi ao menos uma taça de vinho, ou uma garrafa  para dividir com a Helena. Minha impressão geral: Despreparo quase que total no serviço do vinho. Exceto no Bottega Del Vino, os vinhos em taça ou em garrafa (Todos tintos) vieram bem fora da temperatura que deveriam servir em restaurantes deste nível, mesmo não sendo restaurantes 5 estrelas, são bons restaurantes e alguns deles até um pouco caros pelo que oferecem.

Outro fato que me chamou a atenção foi que ao pedir taças, quando não estavam no cardápio ou carta de vinhos, não diziam o nome do vinho, produtor e nem o valor. Apenas a uva. E por último, esperava vinhos mais em conta que no Brasil, mas as margens aplicadas eram bem altas. Quase me senti em São Paulo! Claro que lá os vinhos são mais baratos, mas se compararmos as margens, eles estão pesando mais a mão do que eu imaginava. Fui com uma cabeça, talvez errada, mas no final encontrei coisas bem diferentes, não só no preço!

Sobre a única loja de vinhos que deu tempo de ir, não poderia deixar de ser a famosa Sherry-Lehmann. Fui já direcionado a conversar com uma brasileira, a Ana Paula Galvani, que trabalha lá há um bom tempo e além de extremamente simpática e boa vendedora, conhece muito de vinho. Só pelo simples detalhe de ter passado 3 meses no Château Margaux, já não é preciso dizer muita coisa…! Acabei comprando bons achados, nada caros e alguns deles que não tem no Brasil. Poderia ter realmente enlouquecido com os preços dos ótimos e famosos Bordeaux (É o forte deles), mas optei por ser mais comedido e focar em bons vinhos, todos eles desconhecidos por mim! Foi uma manhã bem gostosa conversando e comprando.

Enfim, The City That Never Sleeps poderia ter um pouco mais de carinho e cuidado com o vinho em alguns casos. Mas foi bom, muito bom estar lá! Afinal, como diz uma amiga minha, New York is never enough.

CHEERS!!

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No dia 12 de Junho, dia dos namorados, resolvi convidar um querido casal de amigos para comer um fondue em casa, já que não me programei e sequer tentei ligar em algum restaurante para reservar uma mesa. E esta foi a oportunidade que queria para abrir um vinho que estava bem curioso para experimentar, trazido diretamente de Mendoza, o BONARDA RESERVA EDIÇÃO LIMITADA 2003, do Nieto Senentiner. Este vinho foi comprado em 2006 na própria vinícola, quando fomos para lá e me chamou a atenção por 2 motivos: O rótulo, extremamente elegante, feito de metal, parecendo bronze. A outra coisa que me chamou a atenção foi a uva: Ele é 100% Bonarda, uma uva ainda não tão famosa na Argentina como a Malbec, mas que, segundo o ícone argentino do vinho, Nicolás Catena, ela é o futuro do país, mais que a Malbec.

Sobre a origem dela, provavelmente ela deve ter sido levada à Argentina pelos Italianos do Piemonte e se deu bem por lá. Por muito tempo ela era usada para fazer vinhos baratos e isto atrapalhou um pouco a imagem desta uva. Hoje, com uma melhor imagem e vinhos mais respeitados, ela vai ganhando fama, ainda longe da Malbec, mas demonstrando muita personalidade e bons vinhos.

Sobre o vinho, o Nieto Senentiner Bonarda Reserva Edição Limitada 2003, me surpreendeu. Um vinho mais seco e menos frutado que um Malbec, mas seus 7 anos de idade amaciaram os taninos e deram um sabor gostoso e especial. Bem estruturado, madeira bem presente, mas não em excesso, o vinho tinha um nariz com muita especiaria, um pouco de pimenta e frutas secas. Fica um bom tempo na boca e tem um final agradável, nada amargo. Um belo vinho, mas diferente da maioria dos argentinos que estamos acostumados, com aquelas explosões de frutas. Valeu a pena esperar e arriscar!

O vinho pode ser comprado aqui no Brasil, somente a safra 2007, pela Casa Flora. O custo dele é de pouco mais R$ 100,00.

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Ultimamente tenho me interessado bastante por matérias e artigos sobre os Icewines. Esta é mais uma novidade que o mundo do vinho tem comentado bastante. Na verdade, está longe de ser uma novidade, afinal, eles surgiram em 1794, na Alemanha, que hoje é, ao lado do Canadá e Austria os maiores produtores deste tipo de vinho. Podemos então chamar esta “novidade” de “moda”. E enfim, resolvi escrever sobre o assunto, muito motivado por uma matéria da Revista Gula de Janeiro de 2010.

Explicando o que são os icewines, o próprio nome já explica boa parte do conceito deste vinho. “Vinho de gelo” é o tipo de vinho feito com as uvas colhidas mais tarde que as outras e ainda por cima são congeladas na própria videira. Com isto, a água de dentro da uva se congela, deixando o vinho mais concentrado e mais doce. E ele vira um vinho licoroso como os sauternes e o Tokay. Mas a grande diferença entre estes vinhos estão nas uvas que são usadas para elaboração de cada um. Diferentemente dos primos mais famosos, os Icewines podem ser feitos com vários tipos de uvas. Brancos e tintas. As castas mais usadas são a Riseling, Cabernet Franc e a pouco conhecida Vidal, além de outras mais conhecidas como a Chardonnay e até a Pinot Noir, Syrah e Cabernet Sauvignon.

Muitos devem estar curiosos e perguntando se são vinhos caros ou baratos. Pois é… Tudo o que é mais trabalhoso e produzido em menores quantidades no mundo do vinho acaba sendo mais caro, como é sete caso. Não achei exemplares vendidos aqui na Brasil por menos de R$ 90,00 (garrafa de 500ml). Inclusive, no ano passado, Filipa Pato, filha do renomado e conhecido enólogo português Luis Pato, esteve no Brasil para lançar seu Icewine FLP.

Mas o que me chamou a atenção foi o fato de estarmos começando a respirar estes ares mais gelados do vinho. Sim, em breve teremos também o nosso Icewine. O idealizador desta ótima iniciativa é o dono da vinícola Pericó (São Joaquim – SC), Wander Weegen. Ele resolveu estudar e implementar o método de produção deste vinho com uvas Cabernet Sauvignon, pois é que mais tarde é colhida aqui no Brasil. O lançamento deste vinho está marcado para outubro deste ano e promete ser mais um passo para o progresso dos nossos vinhos! Mas esperemos que, diferentemente do vinho, o lançamento seja quente!

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Minhas últimas andanças por restaurantes me fizeram começar a olhar com cuidado e carinho as cartas de vinhos destes locais. Na grande maioria das vezes costumo levar o meu próprio vinho, mas sempre que lembro, peço para dar uma olhada na carta.

E é impressionante o que encontramos por aí. Desde cartas nada explicativas, mas honestas e até cartas erradas com erros de português. Mas tem também aquelas cartas completas, com explicações dos vinhos e harmonizações. São raras, mas existem.

Mas o meu foco desta vez não é criticar nem elogiar as cartas, e sim expressar a minha opinião sobre o que considero uma carta de vinhos bem montada. Não importa o nível do restaurante. Acho que todo restaurante que quiser ter vinhos para servir a seus clientes, deve levar em conta alguns princípios importantes, já considerando que é bom sempre ter vinhos de diferentes faixas de preço.

Começando pelos espumantes, acho que uma boa carta deveria ter no mínimo 4 tipos diferentes: Um nacional, um champanhe, um prosecco e um rose, qualquer que seja a nacionalidade. São diferentes tipos de vinhos, que certamente, pelo preço ou pelo gosto, vão agradar a todos. Claro que quanto mais, melhor. Mas tendo estes 4 tipos, já está de justo.

Vamos aos brancos então. Uvas como Chardonnay e Sauvignon Blanc são presenças obrigatórias. Outras menos freqüentes são sempre bem vindas, mas nunca podem faltar vinhos feitos com estas 2 uvas. Sobre as nacionalidades, acredito que por questões de preço e até de gosto, deveriam constar vinhos do novo e do velho mundo. Acredito que um mínimo de 2 rótulos de cada um dos principais países produtores (Espanha, Portugal, Itália, França, Argentina, Chile, África do sul e Austrália) está de bom tamanho. E claro que não pode, de jeito nenhum, faltar algum rótulo nacional.

Caminhando para os tintos, segue quase a mesma regra dos brancos. Não podem faltar as principais uvas – Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah e Pinot Noir. Além de algumas uvas mais regionais, como a italiana Sangiovese, a “chilena” Carmenère, a “argentina” Malbec ou a Sul Africana Pinotage. Deve ter também algumas opções de vinhos de corte.

Por último, vamos aos vinhos de sobremesa como os Portos, Sauternes, Late Harvest, Jerez e outros. Se a carta tiver umas 2 opções para a sobremesa, acredito que já esteja de bom tamanho.

Ah, e mais um detalhe que acho importante: Todo restaurante deveria ter uma garrafa daquelas especiais, que seja um vinho de comemoração. Como exemplo posso citar os Grand Crus franceses, um Barca Velha, um Vega Sicilia, um Sassicaia ou qualquer outro vinho deste tipo. Vai que um cliente chega querendo comemorar algo e abrir uma destas preciosidades…

Queria só dizer, para terminar, que estas são opiniões pessoais do que eu considero o mínimo para uma carta digna do nível que os nossos enófilos estão ficando com esta difusão da cultura do vinho no Brasil.

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Carnaval chegando e cada um tem um objetivo: alguns vão se esbaldar nos trios elétricos em Salvador, outros vão assistir ao maior espetáculo da terra na Marques de Sapucaí (RJ) e outros muitos vão rumo ao litoral pegar uma paria. Tem aqueles também que gostam dos bons e velhos bailinhos de clube no interior e outros muitos, como o amigo e colega Enje Kasoka, que vão fugir da folia e viajar. No caso deste oriental amigo acima, ele não só vai fugir das baladas carnavalescas, como vai mergulhar no mundo do vinho e passear (e beber principalmente!) pelas vinícolas de Mendoza. O risco é ele ficar por lá…

Aos que vão procurar sossego e menos agitação, acho que o vinho pode ser uma boa companhia. Resgatei pela memória 8 dicas de vinhos que podem compor bem o cardápio enológico do carnaval. São 4 diferentes estilos de vinho, com ótimo custo-benefício, para situações igualmente distintas. Então vamos lá.

Espumantes, para beber a beira da piscina, num ambiente totalmente relax:
- Prosecco Brut Bottega Dei Poeti. Importadora: Grand Cru. Valor: R$ 42,00;
- Spumante Pinot Rose Villa Jolanda Brut. Importadora: Vinci Vinhos. Valor R$ 56,51;

Vinho Branco
, para um aperitivo antes do almoço:
- La Vielle Ferme Blanc 2007. Importadora: World Wine. Valor: R$ 48,00
- Catena Chardonnay 2007. Importadora: Mistral. Valor: R$ 50,30

Vinho Tinto leve, para harmonizar com peixes e frutos do mar:
- Tabali Reserva Pinot Noir 2007. Importadora: Grand Cru. Valor: R$ 46,00
- Bourgogne Pinot Noir Olivier Laflaive 2006. Importadora: Expand. Valor R$ 85,00

Vinho Tinto encorpado, para beber no jantar:
- Salentein Syrah 2003. Importadora: Zahil. Valor: R$ 73,00
- Mas au Schiste 2006. Importadora: De la Croix. Valor: 89,00

Bom carnaval a todos, bons vinhos, cervejas e afins (Mas com moderação…!!!)

CHEERS!!

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Acabo de ler uma matéria muito boa no Estadão, do sempre competente Luiz Horta. Nesta matéria ele fala sobre a região francesa de Cahors. Mas não é apenas uma reportagem sobre a região. É mais que isto.

Para resumir a matéria, ele faz uma curiosa constatação: Esta região já foi uma das mais cultuadas da europa, com vinhos famosos e alguns extremamente caros, foi perdendo importancia para Bordeaux, que aos poucos começou a dominar o comércio de vinho do país. Além disto, a temida praga da filoxera dizimou 90% dos vinhedos da região, praticamente acabando com a sua principal variedade de uva, a Malbec.

Hoje, esta região resolveu se reinventar: Vendo o sucesso desta variedade na Argentina, resolveram inverter os valores: Ao invés do “Novo Mundo” se inspirar no “Velho Mundo”, está ocorrendo o movimento inverso. Resolveram importar mudas argentinas e modernizaram as produções, fazendo vinhos para um consumo mais rápido.

Mas conforme constataram Luiz Horta e os participantes desta degustação, os resultados não estão legais. Vinhos ainda duros e estranhos.

Achei legal a reportagem e deixo aqui meus parabéns ao L.Horta pelo tema escolhido. É realmente um tema intrigante…

Caso queiram ler a reportagem na íntegra, com a avaliação dos vinhos degustados, acessem:

CHEERS!!

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Os que acompanham o blog sabem que um dos princípios deste espaço é informar, divertir e trocar experiências sobre o mundo do vinho, certo? E como já diz o objetivo do EnoDeco, este é um “despretensioso blog sobre vinhos”. Assim, não vou aqui ficar ditando regras sobre certos e errados; sobre vinhos bons e vinhos ruins. Para mim, gosto é muito particular e cada um tem a sua preferência.

Bom, tudo isto para dizer que não costumo ficar falando sobre todos os vinhos que bebo e avaliando, pois quando resolvi começar a escrever um blog, queria fazer algo que não fosse apenas críticas de vinhos, mas sim um espaço com mais conteúdo, informações, curiosidades e troca de experiências. Temos muitos blogs e sites, excelentes por sinal, que focam na degustação e avaliação de vinhos.

Mas, de vez em quando falar de um vinho que tomei pode ser mais do que uma simples avaliação. Pode ser uma experiência inédita por exemplo. É o caso do vinho que tomei neste final de semana com amigos queridos e que gostam de vinho, claro. Foi o famoso Chateau Musar, um vinho libanês, o primeiro deste país que eu tomo. E vou falar que foi uma bela experiência.

A safra de 1999 deste vinho está espetacular. Foi um vinhaço de um país que não tem tanta tradição vinícola, mas que faz bons vinhos, entre eles, esta pérola. Precisa de um tempo para decantar e arejar, pois ele se abre muito, uns 40 minutos depois. Mesmo fechado ele já mostra muita personalidade. É intenso, estruturado e tem um toque de idade que deixa o vinho maravilhoso, tanto no nariz como na boca.

Aos que puderem e quiserem experimentar, vale a pena! A importadora é a Mistral, mas não sei se ainda tem o 1999. Só não vou colocar como vinho da semana, pois o vinho da semana tem como princípio indicar vinhos mais acessíveis e de bom custo-benefício.

CHEERS!!

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Ultimamente tenho lido alguns textos e escutado muita gente falando sobre o verão, vinhos brancos, vinhos rosés, etc e tal.

Isto então me motivou a escrever algumas linhas sobre estes assuntos, um pouco baseado em experiência, um pouco em uma filosofia de vida que tenho.

As regras nos dizem que no calor, temos que tomar espumantes, vinhos brancos, rosés e se for tinto, no máximo um Pinot Noir. Não está errado. Pelo contrário: Tem total fundamento este tipo de regra pois quando estamos no calor, queremos algo refrescante, leve, certo? Estas regras eu costumo chamar de harmonização. Sim, harmonização.

Aqui cabe uma pausa para eu explicar o significado de harmonização para mim. Para a grande maioria das pessoas esta palavra significa uma correta combinação entre comida e bebida. Para mim não é apenas isto. Harmonização vem de harmonia, que quer dizer ‘um perfeita convivência entre dois ou mais elementos’. Isto na prática existe na música, na gastronomia, na convivência entre pessoas e em muitas outras coisas. Quem é que nunca ouviu os habitantes das casas do Big Brother levantarem ‘um brinde à harmonia da casa’? Por isto pergunto porque não pode haver uma harmonização entre o clima e o vinho? E clima, aqui quer dizer tanto a temperatura como o clima, a atmosfera, o astral do ambiente.

Dito isto, voltemos ao assunto principal. Sinceramente não me prendo a algumas regras que vivem pregando por aí. E posso até se alvo de críticas dos chatos de plantão, mas não me importo com eles. Para mim, verão não significa apenas vinhos leves. E inverno não significa apenas vinhos mais encorpados. Sou partidário da teoria que temos que beber o vinho que estamos com vontade. Se estivermos em um almoço em pleno verão e quisermos abrir um Cabernet Sauvignon, devemos abrir, oras! Se quisermos comer um fondue no auge do inverno, porque não abrir um vinho branco, que por sinal é o mais correto para se harmonizar com a maioria dos tipos de queijo? Nestas horas a harmonização deve ser feita entre o vinho e a sua vontade. Simples assim.

Se vão te olhar torto, falar ou achar que você não entende nada de vinho, tudo bem. Quem se importa? Eu não, desde que eu esteja tomando e comendo o que eu estiver com vontade. Estando 40° acima ou abaixo de zero.

CHEERS!!

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