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Archive for the ‘Geografia do Vinho’ Category

Por conta de outros posts, notícias, degustações e outras coisas, há tempos eu não dava sequencia à coluna “Geografia do Vinho”.  Mas vamos voltar e agora sem um espaço tão grande de tempo entre os temas desta coluna que tem como objetivo cobrir as principais regiões vinícolas do mundo, falando sobre suas principais características e vinhos. A última que fiz foi sobre os Brunellos e seguindo a lógica, vamos para a última parte da Toscana, que são os demais vinhos que não os Chiantis, Supertoscanos e Brunellos, que já falei aqui. Mas isto não significa que estes demais vinhos são vinhos ruins ou piores. Mesmo porque há vinhos muito bons aí no meio. Vamos lá:

Os primeiros que quero falar são os vinhos de Montepulciano. São eles o Vino Nobile di Montepulciano e o Rosso de Montepulciano. Localizada no sul da Toscana, bem próximo a Montalcino, Montepulciano é uma pequena vila charmosa e deliciosa. Tive a oportunidade de conhecer e fiquei apaixonado por suas íngremes ladeiras e estreitas ruas de paralelepípedo. Os vinhedos cultivados por lá são em sua maioria, clones da rainha Sangiovese, por lá chamada de Prugnolo Gentile. O Vino Nobile di Montepulciano é o mais famoso da região e não é por acaso. Um vinho que se assemelha um pouco aos Brunellos com relação ao corpo e à sua intensidade, mas que pode levar ainda 30% de outras uvas que não a Sangiovese (Prugnolo Gentile), o que os fazem também um pouco parecidos comm os Chiantis. O envelhecimento mínimo do vinho em madeira é de 1 ano e é um vinho bem complexo, de bom corpo e boa acidez. O irmão mais novo, o Rosso di Montepulciano é bem mais leve e seu amadurecimento, menor. Ainda em Montepulciano, existe o Vin Santo, uma preciosidade líquida que não tem o prestígio que deveria ter. É um vinho branco (em sua concepçao de uvas, pois ele é de um alaranjado bem forte) muito doce e intenso, feito em sua maioria de Malvasia Branca, Trebbiano Toscano e Grechetto Branco. Seu método de produção também é diferente. As uvas ficam são colhidas e ficam secando em esteiras por mais ou menos 3 meses só então são vinificadas e envelhecidas por 3 anos.

Outro vinho importante que merece ser citados na Toscana é o Vernaccia di San Gimignano, única DOCG de vinhos brancos da Toscana, feito com a uva vernaccia e é um vinho bem agradável e saboroso, com a tópica acidez dos vinhos italianos.

Com isto, encerramos por aqui o longo e delicioso capítulo da Toscana, principal região italiana para produção de vinhos. No próximo post, Umbria, Lazio, Abruzzo e o Sul da bota!

 

CHEERS!!

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Brunellos, ah… os Brunellos. Pra mim, um dos melhores vinhos do mundo. Ele nasceu por volta de 1870, quando Ferruccio Biondi Santi resolveu isolar um clone da uva Brunello (Sangiovese Grosso) da Sangiovese que se faziam os Chiantis e plantou este clone separadamente. Depois de vinificar e amadurecer em barricas, o vinho se mostrou bem diferente dos Chiantis. E mais: Para uma região aonde os vinhos brancos predominavam e quando falávamos em tinto, a referência era o Chianti, um vinho relativamente leve, quando veio este novo “Brunello”, um vinho denso, encorpado, de cor mais escura e aromas profundos, o vinho chamou a atenção.

Mas nem tudo era fácil. Nesta época, parte do processo de produção dos Brunellos, como o longo envelhecimento em barricas, o contato do mosto com as cascas e a limitação do rendimento de cada parreira, não era conhecido e difundido numa região extremamente agrária, quase que uma aldeia, em ao menos, estradas pavimentadas.

Mas o vinho caiu nas graças das pessoas e apenas em 1980, a região foi denominada uma DOCG. Hoje, Biondi Santi é a grande referência quando falamos em Brunello. Seus vinhos estão entre os mais caros e desejados da Itália e até do mundo.

A cidade de Montalcino é uma beleza à parte. É uma ensolarada aldeia medieval, que fica no topo de uma colina, cercada por um muro gigante chamado de Fortezza (Fortaleza em italiano). Para quem for à toscana, vale a visita.

Sobre o vinho: Como disse anteriormente, é um vinho de cor escura, aromas intensos e boca extremamente complexa. Um vinho de meditação e para ser tomado com muitos anos de idade, pois quanto mais velho, melhor ele fica. Ele precisa seguir algumas regras, como o envelhecimento. O Brunello normal precisa envelhecer 4 anos, sendo 2 em barricas e os Riservas, 5 anos, sendo metade do tempo também em barricas.

Há vários bons produtores de Brunellos, mas alguns se destacam, entre eles Argiano, Altesino, Casanova di Neri, Pievi di Santa Restituta e Poggio Antico. Além é claro do lendário e maravilhoso Biondi Santi, que continua produzindo suas preciosidades.

No próximo post, o último sobre a Toscana, falarei dos outros vinhos da região, como o Rosso di Montalcino, o Vin Santo, o Carmignano, o Vernaccia e o Nobile di Montepulciano.

CHEERS!!

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Os supertoscanos foram um dos vinhos italianos mais rodeados de polêmicas até pouco tempo atrás. E até hoje as polêmicas ainda rondam de vez em quando estes vinhos. Isto porque eles nasceram em 1940 fugindo totalmente das regras DOC e DOCG, regras estas que eram – e são – quase que um certificado de autenticidade dos vinhos italianos. Até que um tal marques Mario Incisa della Rocchetta da Tenuta San Guido resolveu plantar videiras de cabernet sauvignon no litoral da Toscana, em Bolgheri, uma região que não era considerada boa para plantio. E resolveu também amadurecer seus vinhos em barricas pequenas de carvalho francês, enquanto os outros eram envelhecidos em barricas grandes de carvalho esloveno. Oras, vejam só: Região não tão propícia, barricas difetrentes e uva que não era sangiovese. Qual a chance disto dar certo? Na teoria, pouca. Na prática, a coisa foi diferente.

E assim nasceu então o Sassicaia, vinho que hoje custa um bom dinheiro e é tido como um dos melhores vinhos do mundo. Depois dele vieram outros ícones Supertoscanos como o Tignanello, Ornellaia, Solaia, Flaccianello, entre outros muito reconhecidos.

E hoje, os Supertoscanos são reconhecidos como IGT – Indicazione Geografica Tipica.

Em geral, estes vinhos são bem estruturados, com taninos bem presentes e muita fruta na boca, dependendo da uva, já que não há uma regra para o uso de uvas nos vinhos. Já vi Supertoscanos de Cabernet Sauvignon, Sangiovese, Merlot e Canaiolo. São vinhos geralmente de muita guarda e devem ser abertos em ocasiões especiais, já que costumam custar um bom dinheiro!

No próximo post da Geografia do Vinho, vamos de Brunello, um dos meus vinhos preferidos, se não for o mais!

CHEERS!!

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Como falei no post anterior da Geografia do Vinho, é hora de falarmos sobre o lendário e delicioso Chianti, produzido com sangiovese. Chianti é a maior zona de vinho da Toscana. Todas as zonas são reconhecidamente DOCG e estão divididas em sete distritos – Chianti Ruffina, Colli Fiorentini, Colii Aretini, Colli Senesi, Colline Pisane e Chianti Montalbano, sendo que a mais famosa delas é a zona do Chianti Classico.

Mas a história mostra que os Chiantis já passaram por uma “má fase” durante o século XVII, quando o Barão Bettino Ricasolli resolveu acrescentar uvas brancas (malvasia e trebbiano) à fórmula do Chianti para que ele se tornasse mais leve e fácil de beber. E este vinho, que já era um pouco mais popular, caiu de qualidade. Além disto, para piorar, houve depois uma proliferação de um clone de sangiovese pouco adaptada ao terroir da Toscana. Pronto: Estava desenhada a catástrofe!

Mas eis que, em meados de 1970 alguns produtores resolveram se mexer e produzir Chiantis melhores, com mais estrutura e mais “aristocráticos”. E estes novos Chiantis foram inspirados nos Supertoscanos Sassicaia e Tignanello, que à época, já existiam e eram tidos como vinhos “poderosos”. E em 1984 eles passaram a ser DOCG.

Chega de história vamos aos vinhos: Por lei, os Chiantis Clássicos devem ser compostos por no mínimo 75% de sangiovese, até 10% de canaiolo e até 15% de outras uvas, incluindo as brancas malvasia e trebbiano. Os Chiantis Clássicos Riserva seguem a mesma regra, sendo que não podem levar uvas brancas.
O Chianti DOCG é sempre um vinho tinto seco, de médio corpo com notas de frutas. Se forem os Riserva, a madeira costuma estar bem presente. Dependendo do produtor, um Chianti pode durar mais de dez anos for bem armazenado.

Alguns dos melhores produtores de Chianti: Badia a Coltibuono, Castello di Ama, Castello di Volpaia, Badia a Passignano, antinori, Ruffino, entre outros.

No próximo post, os Supertoscanos!

CHEERS!!

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Já faz um tempo que escrevi o último post sobre a Geografia do Vinho, ainda na Itália. Na verdade, precisava de um tempo para escrever sobre esta, que é uma região espetacular: A Toscana. A Toscana que serve de cenário para tantos filmes e que serve de inspiração para escritores e muita gente! E não é pra menos. É uma região abençoada por Deus com suas colinas, seus imensos campos e vinhedos e também pelas históricas cidades como Firenze, Siena, Assisi, San Giminiano, Lucca e muitas outras.

Enologicamente falando, não vou conseguir falar tudo num post só. Então vou dividir em 4 partes: A primeira falando das características gerais da região; a segunda dedicarei apenas aos Chiantis; a terceira apenas aos Brunellos e a quarta e última, juntarei todos os outros vinhos desta região, mas não menos deliciosos e importantes!

A Toscana é uma região maravilhosa. Além da parte histórica dela, que é riquíssima, afinal, entre outras coisas, foi o berço do Renascimento, a importância vinícola dela é muito grande não só para a Itália como para o mundo todo. Lá estão 3 dos mais importantes vinhos da Itália e do mundo: Brunello di Montalcino, Chianti e Vino Nobile di Montepulciano. Há outros excelentes vinhos como o Vin Santo, o Vernaccio di San Giminiano, Rosso di Montalcino e é claro, os famosos Supertoscanos.

Geograficamente ela é formada em sua grande maioria por colinas e é perfeita para o cultivo de uvas, pois a maioria dos vinhedos fica nas encostas, expostas ao sol de uma maneira com que as uvas amadureçam da melhor forma possível.

A região está localizada no meio de outras regiões vinícolas: Fica entre A Emilia-Romagna, Marche, Lazio e a Úmbria. E ainda um pedacinho ao sul da Ligúria.

Várias são as uvas plantadas na região, mas a principal delas é a italianíssima Sangiovese. É uma uva fascinante e ao mesmo tempo difícil de se cultivar, tanto é que inúmeros testes são feitos no mundo todo, mas ela realmente só alcança a sua plenitude na Itália. E é uma uva que possui diversos clones espalhados pela região. Os principais são a Brunello (Sim, o mesmo nome do vinho), a Sangioveto ( Chianti) e a Prugnolo (Nobile di Montepulciano).

Bom, deu pra ver que assunto não falta na Toscana, certo? Então a próxima sairá da teoria e vai para a prática falando do lendário e delicioso Chianti.

CHEERS!!

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Terminando o norte da Itália, temos a região do Vêneto, que fica na parte Noroeste do país e compreende cidades importantes e conhecidas como Verona e Veneza e chega a fazer fronteira com a Áustria. uma curiosidade a ser destacada é que foi desta região que vieram muitos imigrantes italianos que hoje produzem vinhos no Rio Grande do Sul.

É desta região que vem famosos vinhos como o Soave (Branco), Bardolino e principalmente o Valpolicella (Amarone e Recioto)e o Prosecco.

O Valpolicella é um tinto seco e leve elaborado com uvas não tão conhecidas por nós, como Corvina Veronese, Rondinella e Molinara. É um dos vinhos italianos mais exportados. Dentro dos Valpolicellas, há algumas 2 divisões:

Amarone: É sem dúvida, o maior nome da região e que goza de maior prestígio. É um vinho bem encorpado e aromático, com um mínimo de 14% de alcool, chegando a casos de 16%. O processo de produção deste vinho é diferente dos tradicionais. Os melhores cachos são colhidos e as uvas são colocadas para secar em esteiras durante cerca de três meses. As uvas se desidratam e concentram e algumas sofrem a ação do fungo Botrytis cinerea, como as uvas dos franceses Sauternes. Depois disto, acontecem as fermentações e eles são armazenados nas adegas por 2 anos antes de serem vendidos.

Recioto: É um vinho cujo processo de produção é praticamente igual ao do Amarone, mas em determinado momento, a fermentação é interrompida e o nível de açúcar no mosto acaba ficando bem concentrado. Logo, percebemos que é um vinho doce, mas bem encorpado como o Amarone.

O Bardolino também é um vinho leve, produzido com as mesma uvas do Valpolicella, mais a uva Negrara, mas que deve ser bebido bem jovem e refrescado.

O Prosecco é um vinho espumante, muito apreciado e difundido no Brasil, mas que perde para o Asti em termos de consumo no país da bota. O curioso aqui é que Prosecco é uma uva, uma denomiação e uma região!

E por último temo o branco Soave, feito com as uvas Trebbiano di Soave e Garganega. É um vinho seco e aromático e tem 3 classificações: Soave Classico, Soave Classico Superiore e o Soave Recioto.

Sobre a região, ela é a maior exportadora de vinhos da Itália e tem hoje a Vinitaly, uma das principais feiras de vinho da Europa. E muito do potencial vinícola desta região tem a ver com a importancia da cidade de Veneza na antiguidade, pois era uma cidade muito importante por sua localização, ao lado do Mar Adriático e também da Austria.

Próxima parada: A maravilhosa e glamurosa Toscana!
CHEERS!!

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Depois de falarmos do Piemonte, tomaremos neste mesmo post, 2 direções distintas: Ao sul do piemonte falaremos da linda região da Liguria. E a leste da região piemontesa, vamos à Lombardia. Como são regiões vinícolas menores, vamos falar sobre elas num mesmo post.

LIGURIA
Uma região maravilhosa, marcada pelas íngremes encostas dos alpes que terminam no mar mediterraneo e conta com uma arquitetura de cinema, com casinhas coloridas que beiram a costa. É a região aonde muitos italianos e europeus frequentam no verão. Cidades como Portofino e Santa Margherita abrigam iates e barcos de celebridades e altos empresários. Mas a região não conta apenas com esta fama. Os vinhos lá prodzidos não são tão famosos quanto os toscanos e piemonteses, mas há exemplares maravilhosos.
As uvas mais plantadas e conhecidas por lá são a Vermentino (ou Pigato) e a Malvasia. Há outras como as brancas Albarola, Bosco e Buzzeto que são quase desconhecidas.
O vinho Cinque Terre é o branco de maior expressão e comumente servido com os típicos pratos da região: Peixes e Frutos do Mar. Um vinho fresco, leve e mineral, que combina bem com o clima quente da região.
O outro vinho conhecido por lá é o tinto Rossese, que pode ser um Rossese Di Dolceacqua, mais perto da França ou Rossese di Albenga, na região de Genova. É um vinho leve também, com muita fruta e para ser bebido jovem, pois não passa por amadurecimento. E é esta a sua principal carcterísitca, pois permite que ele expresse bem a fruta seja um vinho leve e jovem.

LOMBARDIA
Voltando ao piemonte, tomamos a direção da importante e industrializada cidade de Milão. É a região da Lombardia, aonde a principal atividade é a industrial e não o vinho. Mas é nesta região que se produzem excelentes espumantes italianos e que já foi assunto aqui no blog (aqui): Os Franciacota. Esta região é uma DOCG aonde os vinhos elaborados são feitos com o mesmos tipos de uva que o champagne, Chardonnay e Pinot Noir, que estão bem adaptadas ao clima local. Além disto, é também utilizado o método champenoise de produção. A história de produção deste vinho na região começou em 1970, com a família Berlucchi, que tinha uma fazenda ao sul do maravilhoso lago de Iseo e resolveram imitar o champanhe, já que plantavam Pinot Noir e Chardonnay.

Há também outros vinhos produzidos na região, principalmente pelo mais importante produtor de lá, a Ca´del Bosco. Estes vinhos, que podem ser brancos e tintos são denominados como Terre di Franciacorta.
No próximo post iremos mais ao Leste ainda, para a região Nordeste, falando de Trentino-Alto Adige e Friuli-Veneza.

CHEERS!!

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